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O Fazedor de Montanhas

Do lixo da rua ao espaço cultural do Conjunto Nacional: uma história de trabalho e consciência ambiental

Instalação

Provocar o questionamento sobre o problema do excesso de lixo gerado pelo homem. Inaugurada em setembro de 2006, essa é a proposta da instalação “O Fazedor de Montanhas”, que recebe esse nome em referência à montanha de resíduos que é produzida todos os dias. Só em São Paulo, são cerca de 15 mil toneladas diariamente.

Feito de isopor, espuma de poliuretano, papel e outros materiais reaproveitados, o catador de lixo, que mede 3 metros de altura, transmite tristeza ao olhar para o planeta. O mundo se torna pequeno em suas mãos, comparado à grande quantidade de lixo existente. O boneco gigantesco é acompanhado por seu cão e uma carroça de 7 metros de altura, que pesa quase 2 toneladas.

A instalação dá a oportunidade para que as pessoas reflitam sobre a situação dos catadores de rua, que diariamente pilotam a carroça no meio do trânsito. José Valdeci Silveira, representado na figura do ‘Fazedor’, ficou um ano nas ruas como catador. Hoje, ele trabalha em uma cooperativa de recicláveis. “Quando eu fiquei desempregado, foi um jeito de sobreviver. Fico emocionado com todo mundo me olhando. Eu era visto como um mendigo e hoje as pessoas me vêem como cidadão”, diz.

Projetada pelo artista Silvio Galvão e executada pela Cooperaacs, a obra levou três meses para ficar pronta. “O Fazedor de Montanhas”, que carrega nas costas a oportunidade de transformação, já percorreu centenas de quilômetros para divulgar a necessidade da redução do volume de lixo.


Lugares onde a obra ficou exposta

2006
• Condomínio Conjunto Nacional

2007
• “2º Festival da Loucura”, em Barbacena (MG)
• Teatro Municipal de Mauá
• Shopping Mauá
• Adventure Sports Fair, na Bienal do Ibirapuera

2011
• Condomínio Conjunto Nacional


Quem tiver interesse em levar a obra para ser exposta, basta entrar em contato com a Cooperaacs: cooperaacs@terra.com.br

Relato dos criadores

Para Sílvio e Sandro, criadores de o “Fazedor de Montanhas”, a obra não procurou representar uma peça artística, meramente, ornamental, mas se imbuiu da função de criar a partir dela uma metáfora do nosso cotidiano: construído a partir de materiais recicláveis, o grande catador de lixo se tornou uma interpretação contemporânea das problemáticas relacionadas ao consumo e à produção do lixo, servindo, acima de tudo, como uma grande homenagem ao trabalho árduo de todos coletores de lixo do Brasil. Dá uma lida nos relatos abaixo e confira os depoimentos de ambos!


Sílvio Galvão
Artista Plástico/Cenógrafo


“Além de conviver com todos os conflitos e problemáticas mundiais, constatamos que, decorrente do caos criado pelos avanços tecnológicos e pela neurose do consumismo, o lixo no planeta vem aumentando gradativamente, provocando uma reverberação catastrófica na saturação de materiais não utilizados, orgânicos e inorgânicos.

Por outro lado, vemos entidades como o Conjunto Nacional mostrarem que, apesar de tudo, muitos desses elementos são frutos positivos dessa modernidade, portanto um mal necessário, e que em função disso é preciso levantar bandeiras para ajudar na reflexão sobre o problema.

Esta obra foi um desafio técnico muito grande. Acreditei que a ousadia do conceito só seria valorizada se a técnica respondesse com um resultado hiper-realista, e comecei a tratar a obra como um grande mock-up. Era preciso retroceder aos tempos de mockapeiro de publicidade, antes da informática, quando tudo era feito na unha. Empenhei-me numa grande busca das referências e na complexidade de sua execução.

A minha equipe ficou com os elementos vivos, homem e cachorro, subdivididos em vários mock-ups. A grande sensação nesse trabalho foi a participação de uma Hair Design que cuidou do implante dos fios. Acredito que isso deu um toque especial ao resultado final da obra. O planeta foi o mock-up mais cuidadoso, assim como os olhos. Mas acredito que o elemento que mais chama atenção é o tênis. Será que é por causa do sonho de consumo?

Ao admirar a obra, você certamente espera por uma mensagem. A única que gostaria de transmitir é muito simples: não tratem seus lixos como lixo, e sim como materiais”.


Sandro Rodrigues
Mestre Artesão/Cooperacs


“Foi com grande alegria que aceitei o desafio de concretizar esta obra e ter a honra de poder representar esses brasileiros que usam sua força e energia para desempenhar um trabalho importante para o meio ambiente. Afinal, os catadores de lixo ou ‘carroceiros’, como são conhecidos, devem ser considerados os primeiros agentes ambientais na área da reciclagem e manipulação de resíduos, numa sociedade onde a maioria das pessoas dá as costas para esta questão e, consequentemente, para essas pessoas”.

O Documentário

Realizado com o apoio do Conjunto Nacional e parceiros, o documentário ‘Fazedor de Montanhas’ é baseado na moderna teoria do Caos e abrange o fenômeno do lixo em todas as suas perspectivas, porque a sua produção não é um feito puramente mecânico, físico e urbano, mas uma realidade que convive com o homem desde a sua origem. O lixo é tudo aquilo que o ser humano despreza e procura ocultar: as misérias sociais, o desperdício urbano, o preconceito e as sombras da consciência.


Entrevistas

O filme percorre o universo de novas palavras e sentidos profundos – metamorfose, renascimento, transformação, racionalização – através dos quais o ser humano se torna capaz de transformar os elementos negativos, que definem o lixo, em forças positivas, enérgicas, ativas e solidárias.

O documentário não pretende dogmatizar ou consagrar verdades, mas sim provocar e levar o expectador ao desafio de pensar. Todas as vertentes são apresentadas por meio de entrevistas: o que é um lixo para um psiquiatra, um empresário, um político, um arquiteto ou um artista.


Sequências de Ficção

O filme apresenta cinco sequências filmadas em cores, que mostram nossa realidade de forma poética e surreal. Duas sequências foram diretamente inspiradas em pinturas importantes na história da arte.


Reconhecimento/Prêmio Especial do Júri no Festival Internacional de Finestrat

No dia 5 de abril de 2008, o documentário recebeu o Prêmio Especial do Júri no Festival Internacional de Finestrat, em Alicante, na Espanha.

Documentário com elementos de ficção em doses poéticas. Nos conta coisas assombrosas sobre o lixo e seu significado. Com lúcidas exposições de vários experts, se aprofunda na moderna teoria do Caos e resgata do esquecimento e da indiferença tudo o que jogamos no lixo sem pensar, conferindo uma nova vida e dignidade que nos obriga a refletir sobre o nosso estilo de vida alienado. Uma aula magistral de espiritualidade falando do lixo.


Programação do Evento

5º Globians world & culture
Em 2009, o documentário foi indicado para o 5º Globians world & culture – Documentary Film Festival Berlin.
www.globians.com


Ficha Técnica

Fazedor de Montanhas: 53 min. 2007.
Direção e Roteiro: Juan Figueroa
Direção de Arte: Marcio Medina
Imagem: Carlos Nascimento
Produção: Imagem Essencial
Iniciativa: Condomínio Conjunto Nacional
Apoio: Aterro Sanitário Boa Hora, Crowne Plaza, JP Miguel Engenharia, Remolixo, Savoy Imobiliária, Work Design

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