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História

Construção, inauguração e desenvolvimento: a trajetória do Conjunto Nacional
01.
INFORMAÇÕES TÉCNICAS

PERFIL

O Conjunto Nacional é um edifício e centro comercial localizado no coração de São Paulo. O complexo caracteriza-se pela mistura de diferentes usos em uma mesma estrutura urbana: verificam-se no Conjunto Nacional os usos residencial, comercial, serviços e lazer. A relação entre os usos coletivos – comércio, lazer – e os usos privados – residências – dá-se pela composição entre duas lâminas: na lâmina horizontal, que ocupa toda a quadra na qual se implanta o edifício, encontra-se uma galeria comercial e, na lâmina vertical, a qual ocupa apenas uma parte da projeção do terreno, encontram-se os apartamentos. As galerias convergem para uma área central, onde uma rampa conduz ao mezanino. Ali, há cinco entradas disponíveis (duas na Padre João Manuel e uma em cada uma das demais ruas que formam a quadra onde se situa o prédio). A lâmina superior conta com 25 pavimentos, que dispõem de três entradas independentes. A galeria proposta no Conjunto Nacional transformou-se em um paradigma arquitetônico para projetos de edifícios similares na área central de São Paulo durante a década de 1950.

O Conjunto Nacional apresenta restaurantes (entre eles o Grill Hall, o Tenda Paulista e o Restaurante Viena), escritórios e outros tipos de estabelecimentos de comércio e prestação de serviços (como drogarias, casa de câmbio, academia e lojas), além da maior livraria da América Latina em área construída, a Cultura. Abrigou por muitos anos o Cine Astor e o Restaurante Fasano. Em 2005, a edificação foi tombada pelo Condephaat (Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico).

Raio X

ÁREA TOTAL CONSTRUÍDA
111.083,24 m²
CALÇADAS
3.600 m²
JARDINS NO TERRAÇO
3.000 m²

Bloco Comercial

EDIFÍCIO HORSA I
24.237,3232 m²
EDIFÍCIO HORSA II
23.682,0742 m²
CENTRO COMERCIAL
61.354,5142 m²

Bloco Residencial

EDIFÍCIO GUAYUPIÁ
13.169,2420 m²
GARAGEM RESIDENCIAL
1.834,4564 m²
EMPREENDEDOR
José Tjurs
AUTOR DO PROJETO
David Libeskind (Arquiteto)
OBRAS
1955-1962
CENTRO COMERCIAL
Inaugurado em setembro de 1958
ESTACIONAMENTO
716 Vagas
ELEVADORES
24
ESCADAS ROLANTES
2
POPULAÇÃO FIXA
5.000 pessoas/dia
POPULAÇÃO FLUTUANTE
30.000 pessoas/dia
O número de pessoas que circulam no edifício é semelhante ao total de habitantes do município de Campos do Jordão, estimado em 2007 pelo IBGE em 44.688
CORRESPONDÊNCIAS
40.000 cartas/mês

Serviços

CINEMA
Cine Arte – 2 salas
TEATRO
Eva Hertz – Livraria Cultura
ACADEMIA
Uma academia de ginástica com 5.000 m²
CENTRO COMERCIAL
66 estabelecimentos (lojas, farmácias, agências bancárias, restaurantes e uma megalivraria)
EDIFÍCIO COMERCIAL – HORSA I
562 estabelecimentos de pequeno e médio porte (consultórios, imobiliárias, empresas de informática etc.)
EDIFÍCIO COMERCIAL – HORSA II
107 estabelecimentos de maior porte (multinacionais, nacionais, consulados, escritórios de advocacia etc.)
EDIFÍCIO RESIDENCIAL
47 apartamentos

02.
ANOS DE HISTÓRIA

LINHA DO TEMPO

Já são quase 60 anos de história de Conjunto Nacional. Durante nossa trajetória, aconteceram muitos momentos importantes: desde o processo de construção e inauguração do edifício, que teve a ilustre presença do ex-presidente da República Juscelino Kubitscheck, até as ações educativas tocadas atualmente, o Conjunto Nacional se coloca como um ícone de São Paulo, trazendo arte, cultura, comércio, entretenimento e, sobretudo, muita consciência social para todos os paulistanos. Abaixo, você confere a nossa Linha do Tempo e acompanha os episódios mais significativos da nossa história.

1952

Em 1952, José Tjurs compra a mansão que pertencia à família de Horácio Sabino. Nasceu dos sonhos deste argentino a ideia de criar o Conjunto Nacional. O empresário, que morreu em 1977, teve o seu sonho realizado: transformar a Paulista na Quinta Avenida de São Paulo.


1955

O arquiteto brasileiro David Libeskind, então com 26 anos, foi o autor do projeto do Conjunto Nacional. 


1955

A construção do Conjunto Nacional foi iniciada em 1955 e trouxe para a cidade uma grande novidade na época: uma maravilhosa cúpula geodésica de alumínio, que foi construída pelo engenheiro Hans Eger.


1957

Em 1957 o Conjunto Nacional recebeu seu primeiro e ilustre estabelecimento: o sofisticado Restaurante Fasano. Com mesas espalhadas pela ampla calçada da Avenida Paulista, o local fervilhava de gente dia e noite.



Em 1958, o Fasano abriu o seu luxuoso restaurante no mezanino, onde se realizavam os famosos “jantares dançantes”, e o requintado jardim de inverno, logo eleito o melhor e o mais elegante salão de festas da cidade, com capacidade para duas mil pessoas.



O Fasano era palco obrigatório dos grandes nomes da música internacional que visitavam São Paulo, como Nat “King” Cole, Roy Hamilton e Marlene Dietrich.

1958

O setor comercial, uma área de 61.354.5142 metros quadrados, foi destinado a um centro de compras e serviços, considerado o primeiro shopping center da América Latina e o maior da América do Sul.


1958

A inauguração da primeira etapa do Conjunto Nacional, em dezembro de 1958, contou com a presença do então presidente da República, Juscelino Kubitschek, que observa a maquete do edifício, elaborada por José Zanini Caldas.


1960

No início dos anos 60, o edifício instalou duas escadas rolantes no centro comercial, considerada a terceira construída na cidade.


1961

Em 1961 foi inaugurado o Cine Astor, logo eleito o mais luxuoso e o mais moderno cinema da cidade.


1961

Ao ficar pronto, no início dos anos 60, no alto do edifício foi instalado o relógio luminoso da Willys.


1963

O Fasano foi vendido para a Liquigás em 1963 por causa da situação política do país. Em 1968, o restaurante e o jardim de inverno foram fechados e o local passou por reformas para ser adaptado a funcionar como escritório. A Confeitaria Fasano permaneceu aberta até 1973.


1970

Em 1970, o relógio do Conjunto Nacional passou a exibir a marca da Ford.


1975

A marca do Banco Itaú chegou ao alto do edifício em 1975. Em 1992, o relógio passou por uma grande reforma e recebeu um complexo eletrônico de última geração, controlado por computador e, além das horas, passou a marcar também a temperatura da cidade.


1975

Em 1975, surgiu o Viena Delicatessen, que depois de um começo modesto nos corredores do Conjunto Nacional se tornou uma das maiores redes de fast-food da cidade.


1978

No final dos anos 70, devido a problemas administrativos, o Conjunto Nacional apresentava sinais de decadência e abandono. Na madrugada do dia 4 de setembro de 1978, um grande incêndio irrompeu no Conjunto Nacional, resultado da má administração da empresa Horsa.


1984

Em 1984, o grupo imobiliário Savoy comprou o que restava dos bens da Horsa no Conjunto Nacional e passou a administrar o condomínio. Em 1984, foi eleita síndica a advogada Vilma Peramezza, iniciando um período de recuperação com a realização de diversas obras de restauração.


1987

Em 1987, o Cine Rio deu lugar ao Cine Arte. Em poucos meses se tornou um dos melhores cinemas da cidade. 


1987

O trabalho de recuperação do Conjunto Nacional foi iniciado na galeria comercial. Na foto, a nova recepção.



A arquiteta Maria Cecília Barbieri Gorski, da Barbieri & Gorski Arquitetos Associados, foi responsável pelo trabalho de restauração e paisagismo do terraço.


 

1988

Inauguração do Viena, em 1988, na esquina da Rua Augusta com a Alameda Santos.


1992

Em março de 1992, o programa de Coleta Seletiva foi aprovado e oficializado pelos condôminos em Assembleia Geral Ordinária.


1997

O terraço, reinaugurado em junho de 1997, devolveu parte do glamour que caracterizou o Conjunto Nacional nos anos 50, 60 e início dos 70.


1997

Em dezembro de 1997 foi lançada a semente da criação do Espaço Cultural Conjunto Nacional, com uma exposição que reuniu vários artistas plásticos consagrados. Com a realização de exposições de arte, o edifício passou a fazer parte do corredor cultural em que se transformou a Avenida Paulista.


1998

Em dezembro de 1998, o jornalista Ângelo Iacocca lança o livro Conjunto Nacional – A Conquista da Paulista. A obra foi elaborada para comemorar os 40 anos de existência do edifício, e conta a história da avenida Paulista mostrando cada etapa de sua transformação, acelerada a partir do surgimento do Conjunto Nacional.


1999

A partir de 1999, todo mês de dezembro, as galerias e a fachada do Conjunto Nacional passaram a ser decoradas com adereços elaborados por comunidades carentes utilizando materiais recicláveis.



2003

Em 2003, o Espaço Cultural Conjunto Nacional organizou a campanha “SOS Cine Arte”, com o objetivo de evitar o fechamento do cinema.


2004

O livro “Conjunto Nacional – A Conquista da Paulista” foi ampliado em mais 30 páginas. A obra foi lançada em janeiro de 2004, em comemoração aos 450 anos da cidade de São Paulo. No capítulo sobre ‘Responsabilidade Social e Qualidade de Vida’, o autor relata as várias ações desenvolvidas pelo Conjunto Nacional, voltadas à valorização dos nossos funcionários e comunidade.


2005

Em abril de 2005, o Conjunto Nacional foi tombado pelo Condephaat, órgão estadual responsável pelo patrimônio histórico.


2005

Em outubro de 2005, o Cine Bombril substituiu as duas salas do antigo Cinearte. Em setembro de 2010, o cinema tornou-se Cine Livraria Cultura. Em junho de 2015, tornou-se CineArte novamente.


2007

Em maio de 2007, a tradicional sede da Livraria Cultura, no Conjunto Nacional, passou a ocupar o espaço em que funcionava o antigo Cine Astor. A nova loja é a maior livraria do país, com 4,3 mil metros quadrados de área distribuídos por três pisos.


2008

Em março de 2008, o arquiteto David Libeskind, aos 79 anos, é tema de um livro que leva seu nome – ‘David Libeskind – Ensaio sobre as Residências’.


03.
A CONSTRUÇÃO DO PROJETO

ARQUITETURA

No início dos anos 50, revelando ser um empresário que estava à frente do seu tempo, José Tjurs planejava idealizar em São Paulo um grande edifício, que deveria reunir em um único espaço um hotel, restaurantes, bares, cinemas, lojas comerciais e de prestação de serviços, além de escritórios e apartamentos residenciais com serviço de hotelaria. Também queria ver a Paulista tornar-se a Quinta Avenida de São Paulo. Mas, para tanto, alguém precisava dar o passo inicial, e esse alguém seria ele.

A primeira providência foi comprar a mansão que pertencia à família de Horácio Sabino, que ficava exatamente na esquina da Avenida Paulista com a Rua Augusta. Para concretizar o audacioso empreendimento, Tjurs realizou uma espécie de concurso para a elaboração do projeto, que teve a participação de diversos arquitetos. Para surpresa dos concorrentes, foi escolhido o projeto de David Libeskind, de apenas 26 anos, recém-formado e quase desconhecido.

Ao iniciar as obras, em 1954, Tjurs dava a largada para a futura ocupação comercial da avenida. A lâmina horizontal, concluída em 1958, cobria todo o andar térreo, que formava uma ampla galeria onde se cruzavam quatro amplos corredores que formavam uma praça de 1.600 metros quadrados, com entradas pela Avenida Paulista e pelas ruas Augusta, Padre João Manoel e Alameda Santos.

A construção da torre que abrigaria o Hotel Nacional de São Paulo foi vetada pelas autoridades: não era permitido construir hotéis na Avenida Paulista. Então Tjurs mudou o projeto e reduziu a lâmina vertical para três edifícios de 25 andares: um residencial, o Guayupiá, com apartamentos de 180 a 890 metros quadrados, e dois comerciais: o Horsa I, para pequenos escritórios e consultórios, e o Horsa II, para empresas de grande porte. Em 1962, a lâmina vertical estava pronta, com 120 mil metros quadrados de área construída.

Como José Tjurs havia planejado, o Conjunto Nacional era, de fato, uma cidade dentro da cidade. Depois de concluído, o edifício passou a ser um marco na cidade de São Paulo, que ostentava um novo cartão-postal, e anunciava novos tempos para a Avenida Paulista, dando a largada para a verticalização de toda a região. O edifício também deu início à valorização do metro quadrado dos terrenos das mansões, que com a chegada do poder financeiro, nos anos 70, alcançaria valores astronômicos, uma tendência que transformaria radicalmente a poderosa avenida.

04.
O TRABALHO DE DAVID LIBESKIND

O PROJETO

O próprio arquiteto, que faleceu em 2014, aos 85 anos, revelou alguns detalhes do projeto do Conjunto Nacional:

“Para a realização do Conjunto Nacional, José Tjurs contratou alguns arquitetos para apresentar ideias sobre o projeto e eu também fui chamado. Lembro que ele me recebeu em seu escritório, no Anexo do Hotel Excelsior, na Avenida Ipiranga, e logo começou a me chamar de ‘menino’ por causa da minha idade. Ele explicou que pretendia construir um hotel e um centro comercial para exposições de indústrias em um grande terreno na Avenida Paulista e me pediu para apresentar um estudo em uma semana.

Na época, em 1955, a Avenida Paulista era inteiramente residencial e a Rua Augusta já era o centro comercial onde estavam as lojas chiques, pois ainda não existiam shoppings centers. Assim, sugeri uma construção que cominasse uma lâmina vertical, para apartamentos, e um jardim suspenso com uma grande área comercial embaixo, que seria um prolongamento da Rua Augusta. José Tjurs, assessorado por profissionais do setor, aprovou a minha ideia.

O projeto era característico da arquitetura brasileira daquela época, com ênfase no terraço-jardim e nos pilotis. A composição arquitetônica era basicamente formada por duas lâminas: uma horizontal, para uso comercial, que ocupava toda a área do terreno, e outra, vertical, de apartamentos. Separando as duas lâminas, havia os pilotis que se apoiavam sobre o terraço-jardim que serve de cobertura de toda a área comercial. Além dos pilotis, nesse terraço foram projetados um salão de festas e uma cúpula geodésica para abrigar o conjunto de rampas e elevadores do hall central”.

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